Tenho um colega chamado Thiago, porém todos o conhecem pelo vulgo "Venâncio". Pois é, esse mesmo, caro leitor.
Estou em sua companhia, agora, metodicamente, neste instante, a fazer nada, entrando no total e completo ócio mais inimaginável, aquele que, de tão estático, gera a dor e a melancolia, mas principalmente, a prosa.
Prosamos muito. Sobre os mais sortidos temas, os quais nunca cessávamos um instante de alegria e descontração, para debatermos e dialogarmos sobre tais. É certo que os assuntos, apesar de possuírem uma essência sisuda, eram recheados por anedotas maquinadas por nós.
Um desses diálogos povoava no fato de como a sociedade nos reprime e nos extrangula, a fim de que vistamos um padrão de ente e que, nele, vivamos por toda existência, renunciando ações deleitosas ao nosso gosto, maquinando personalidades conflituosas e hipócritas. O mundo nos controla, o sistema nos impõe as regras. E nós obedecemos. Hein, Venâncio? Leitor?
Lafayette Gadelha
João Pessoa, 30 de Maio de 2008
quinta-feira, 29 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Batuca, bebe e beija...
...enquanto isso, o povo paraibano, principalmente, os que fazem parte de uma conjuntura que estamos bem distante dela, vivem sob ditaduras, genuínos holocaustos, a resignar-se a um Estado e a uma sociedade exludentes e indifirentes aos seus problemas, todavia possuem a rebeldia instrínseca, impossível de tomar controle e que, de maneira fugaz, explode, resultando em mais problemas que, infelizmente violam a segurança e os próprios valores.
Às vezes, encontro com Rosinaldo, menino de rua que aprendeu a se virar com um malabarismo de circo amador, mas é este que promove o seu "sustento" de garoto púbere, seus vícios e, quem sabe, um pão pra matar a fome, quando já está em seu limite. Ele trabalha no semáforo em frente ao Mercado de Artesanato, mas, esporadicamente, o vejo na sorveteria, onde lhe pago um sorvete e converso sobre seus estudos e sobre sua família. Ele é sincero e fala, apressadamente, sem dar pausas nos intervalos das palavras, que não vai muito a escola, mas está matriculado, em uma escola do município. Ao final da prosa, pede-me melindroso uns trocados e roupas velhas.
Talvez Rosinaldo, não saiba, mas ele é ludibriado, a toda hora, porque um dos homens que deveria lhe proporcionar necessidades básicas, que governa um Estado da República, batuca, bebe e beija.
A Paraíba carece de políticos de que se sintam mal, ao ver a situações como a de Rosinaldo, que seja instalada uma revolta que os tome e os façam dotados do espírito público mais verdadeiro. Afinal, o sofrimento gera a compaixão.
Às vezes, encontro com Rosinaldo, menino de rua que aprendeu a se virar com um malabarismo de circo amador, mas é este que promove o seu "sustento" de garoto púbere, seus vícios e, quem sabe, um pão pra matar a fome, quando já está em seu limite. Ele trabalha no semáforo em frente ao Mercado de Artesanato, mas, esporadicamente, o vejo na sorveteria, onde lhe pago um sorvete e converso sobre seus estudos e sobre sua família. Ele é sincero e fala, apressadamente, sem dar pausas nos intervalos das palavras, que não vai muito a escola, mas está matriculado, em uma escola do município. Ao final da prosa, pede-me melindroso uns trocados e roupas velhas.
Talvez Rosinaldo, não saiba, mas ele é ludibriado, a toda hora, porque um dos homens que deveria lhe proporcionar necessidades básicas, que governa um Estado da República, batuca, bebe e beija.
A Paraíba carece de políticos de que se sintam mal, ao ver a situações como a de Rosinaldo, que seja instalada uma revolta que os tome e os façam dotados do espírito público mais verdadeiro. Afinal, o sofrimento gera a compaixão.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Do aritgo abaixo
Uma verdadeira lição de vida:
Surto eclesiástico:
I Coríntios 6:10 - "Nenhum bêbado herdará o reino dos céus".
Romanos 1:29 - " Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade".
Opinião: aplausos a colunista, por favor
Enquete: comentários, abraços.
Conclusão: Ana e Lake, certamente, no fim dos tempos, queimarão no fogo do inferno.
Outras:
1- São Paulo, novamente, vence com ilegalidades. Domingo nos veremos, bambis.
2- Por falar em cheias, no sertão, Myriam, quem puder ajudar, de verdade, a galera lá, principalmente em Sousa, manda donativos pro 15o DT aqui em João Pessoa. Acho que é assim mesmo.
3- Próximo tema, Myriam: "a amplitude da arte".
4- Show de Toquinho e MPB4 em Recife daqui a 15 dias. Comprarei meu ingresso, imediatamente.
5- Dia de Tiradentes está próximo. Creio que vou escrever um texto radicalmente nacionalista a maneira de Policarpo Quaresma. Enquete: comentários, abraços.
7- Tentando, debalde, dar uma sisudez ao blog.
Abraços.
Lafayette Gadelha
João Pessoa, 14 de abril de 2008
Surto eclesiástico:
I Coríntios 6:10 - "Nenhum bêbado herdará o reino dos céus".
Romanos 1:29 - " Estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade".
Opinião: aplausos a colunista, por favor
Enquete: comentários, abraços.
Conclusão: Ana e Lake, certamente, no fim dos tempos, queimarão no fogo do inferno.
Outras:
1- São Paulo, novamente, vence com ilegalidades. Domingo nos veremos, bambis.
2- Por falar em cheias, no sertão, Myriam, quem puder ajudar, de verdade, a galera lá, principalmente em Sousa, manda donativos pro 15o DT aqui em João Pessoa. Acho que é assim mesmo.
3- Próximo tema, Myriam: "a amplitude da arte".
4- Show de Toquinho e MPB4 em Recife daqui a 15 dias. Comprarei meu ingresso, imediatamente.
5- Dia de Tiradentes está próximo. Creio que vou escrever um texto radicalmente nacionalista a maneira de Policarpo Quaresma. Enquete: comentários, abraços.
7- Tentando, debalde, dar uma sisudez ao blog.
Abraços.
Lafayette Gadelha
João Pessoa, 14 de abril de 2008
domingo, 13 de abril de 2008
Insônia. Liguei pra Lafa pra saber a senha do blog.
Uma hora estudando direito penal, outra hora orkut-msn.
E nem estou pensando muita coisa pra escrever.Aliás, acho que só pensei em coisas inúteis.
Pensei na utilidade de se ter consciencia que se tem consciência, de novo.
Pensei que gostaria muito de saber gramática.
Pensei que existem poucas doutrinadoras mulheres.
Pensei que os dias passam rápido.
No quanto eu tenho odiado fim de semana (estarei virando nerd, enfim?)
Aí Ana me disse agora que, já que eu queria escrever alguma coisa de todo jeito, devia escrever sobre a super aventura dela neste final de semana:
Constataçao da minha felicidade: posso???????
Ana Moura diz:
eu quero ler essa palhaçada que tu vaii escrever
caralho, odeio esse tipo de expectativa.
e Lafa agora vai me expulsar do blog sério-político-filosófico dele.
Myriam diz:
vou me concentrar na narrativa do teu fim de semana
Ana Moura diz:
no blog?
Ana Moura diz:
num é minha historia?
(ela nao compreende)
Ana Moura diz:
i então
Ana Moura diz:
escreva
Ana Moura diz:
la no blog minha historiaa
(Alguém vai ler isso?)
Fim de semana de Ana
Começou na quinta-feira com a subtracao de sua pessoa pelo maior Diego
Myriam diz:
vamos mudar o nome de lake ne
Ana Moura diz:
bote: Diego
Ana Moura diz:
kkkkkkk
Myriam diz:
ai vcs foram p onde na quinta?
Ana Moura diz:
na quinta
Ana Moura diz:
ele passou aqui em casa
Ana Moura diz:
eu estava com 7 caixas de cerveja.
Ana Moura diz:
84 latinhas
Ana Moura diz:
começamos bbendo
Ana Moura diz:
na calçadinha depois fomos p casa dele
Ana e Lake bebem muito. Eles beberam, beberam e adormeceram no salao de festas da casa dele. Ana sentou encostada na parede e Lake deitou no colo dela. História chata do caralho. To quase desistindo. E nao vou criar um novo estilo literário assim. Melhor falar do carnaval de Olinda, das enchentes do sertao. Como os assuntos de alta relevancia e tormento para algumas pessoas tornam-se tópicos para lacunas numa noite obsoleta, meu Deus.
Myriam diz:
aí dormiram?
Ana Moura diz:
nãoo
Myriam diz:
fizeram amor?
Ana Moura diz:
isso é paginas pretas?
semclausulas,semclausulas, lalala.
Myriam diz:
pode ter paginas pretas?
Ana Moura diz:
podee
Lafa nao deixa.
Myriam diz:
fizeram amor?
Ana Moura diz:
fizeram
Ana é Alain Delon e fala dela na terceira pessoa.
Fizeram amor e ela foi em casa tomar banho. Aí ele mandou ela ir pra casa dele e ela é bem obediente e foi e continuaram bebendo. Ana e Lake sao o tipo de casal que se divertem e bebem juntos e jogam sinuca (falarei disso em breve) e comem caranguejo.
Ana Moura diz:
vim em casa tomei banho
Ana Moura diz:
i ele mandou eu ir p casa dele
Ana Moura diz:
ai fuui pra la i agnt continuou bbndo
Ana Moura diz:
o resto da cerveja
Ana Moura diz:
so tinha 3 caixas
Tá ficando comprido, hein.
Quando terminaram as tres caixas de cerveja...
Ana Moura diz:
um amigo dele ligou chamando p ir p casa de uma amiga deles q esta tendo uma festa
Ana Moura diz:
ai eu disse que não ia
Ana Moura diz:
mais ele disse q eu ia
Aí ela foi porque ela é subserviente e apaixonada.
Myriam diz:
aí tu foi ne?
Ana Moura diz:
fuii
Só que nao acharam a casa da menina. Aí foram jogar sinuca em Almir (lembra que eu disse que eles jogavam sinuca). Mas Ana é uma péssima jogadora.
Ana Moura diz:
mais i jogar sinucaa
Ana Moura diz:
"meu cel descarregou e o dele esqueceu no carro do amigo"
(aspas)
Foi aí que começou o desespero da mae de Ana. Ela passou mal e, claro, acho que era um mal presságio e que algo de terrível havia acontecido com Ana.
Ana Moura diz:
tu escrevee
Ana Moura diz:
mtoo ruimm doidooo
Ana Moura diz:
sabe nem juntar
Myriam diz:
escreva vc entao
Ana Moura diz:
as historias
Ta bom, entao vou recomeçar depois dessa.
Aí Lake e Ana conheceram um casal em Almir e foram jogar sinuca com eles.
Myriam diz:
eu recooméco por ond
Myriam diz:
pela parte q lake teve ciume da nega e tu tb?
Ana Moura diz:
omii va dormirr
Ana Moura diz:
i escrever
Ana Moura diz:
outra coisaa
Ana Moura diz:
ta horrivel isso
Ana Moura diz:
escreva cm se foss um romance
Ana Moura diz:
bem AVENTUREIRO
Ana Moura diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ana Moura diz:
q a mocinha foge cm o caba pq ta apx
Faço questao de colocar isso aqui.
Ana Moura diz:
pronto
Ana Moura diz:
sabe nem ter criatividade
Myriam diz:
eu to obsoleta msm
Myriam diz:
tu acha q eu to escrevdno a tua historia pq?
Myriam diz:
se eu tivesse criatividade ia escrever outra coisa
Myriam diz:
papa angu
Luiza Moura diz:
pq é uma anta
Uma hora estudando direito penal, outra hora orkut-msn.
E nem estou pensando muita coisa pra escrever.Aliás, acho que só pensei em coisas inúteis.
Pensei na utilidade de se ter consciencia que se tem consciência, de novo.
Pensei que gostaria muito de saber gramática.
Pensei que existem poucas doutrinadoras mulheres.
Pensei que os dias passam rápido.
No quanto eu tenho odiado fim de semana (estarei virando nerd, enfim?)
Aí Ana me disse agora que, já que eu queria escrever alguma coisa de todo jeito, devia escrever sobre a super aventura dela neste final de semana:
Ana Moura diz:
escreve
Ana Moura diz:
aventura
Ana Moura diz:
*minha
Myriam diz:
posso????????
Ana Moura diz:
pode
Ana Moura diz:
qr fazer as paginas pretas tbm?
Constataçao da minha felicidade: posso???????
Ana Moura diz:
eu quero ler essa palhaçada que tu vaii escrever
caralho, odeio esse tipo de expectativa.
e Lafa agora vai me expulsar do blog sério-político-filosófico dele.
Myriam diz:
vou me concentrar na narrativa do teu fim de semana
Ana Moura diz:
no blog?
Ana Moura diz:
num é minha historia?
(ela nao compreende)
Ana Moura diz:
i então
Ana Moura diz:
escreva
Ana Moura diz:
la no blog minha historiaa
(Alguém vai ler isso?)
Fim de semana de Ana
Começou na quinta-feira com a subtracao de sua pessoa pelo maior Diego
Myriam diz:
vamos mudar o nome de lake ne
Ana Moura diz:
bote: Diego
Ana Moura diz:
kkkkkkk
Myriam diz:
ai vcs foram p onde na quinta?
Ana Moura diz:
na quinta
Ana Moura diz:
ele passou aqui em casa
Ana Moura diz:
eu estava com 7 caixas de cerveja.
Ana Moura diz:
84 latinhas
Ana Moura diz:
começamos bbendo
Ana Moura diz:
na calçadinha depois fomos p casa dele
Ana e Lake bebem muito. Eles beberam, beberam e adormeceram no salao de festas da casa dele. Ana sentou encostada na parede e Lake deitou no colo dela. História chata do caralho. To quase desistindo. E nao vou criar um novo estilo literário assim. Melhor falar do carnaval de Olinda, das enchentes do sertao. Como os assuntos de alta relevancia e tormento para algumas pessoas tornam-se tópicos para lacunas numa noite obsoleta, meu Deus.
Myriam diz:
aí dormiram?
Ana Moura diz:
nãoo
Myriam diz:
fizeram amor?
Ana Moura diz:
isso é paginas pretas?
semclausulas,semclausulas, lalala.
Myriam diz:
pode ter paginas pretas?
Ana Moura diz:
podee
Lafa nao deixa.
Myriam diz:
fizeram amor?
Ana Moura diz:
fizeram
Ana é Alain Delon e fala dela na terceira pessoa.
Fizeram amor e ela foi em casa tomar banho. Aí ele mandou ela ir pra casa dele e ela é bem obediente e foi e continuaram bebendo. Ana e Lake sao o tipo de casal que se divertem e bebem juntos e jogam sinuca (falarei disso em breve) e comem caranguejo.
Ana Moura diz:
vim em casa tomei banho
Ana Moura diz:
i ele mandou eu ir p casa dele
Ana Moura diz:
ai fuui pra la i agnt continuou bbndo
Ana Moura diz:
o resto da cerveja
Ana Moura diz:
so tinha 3 caixas
Tá ficando comprido, hein.
Quando terminaram as tres caixas de cerveja...
Ana Moura diz:
um amigo dele ligou chamando p ir p casa de uma amiga deles q esta tendo uma festa
Ana Moura diz:
ai eu disse que não ia
Ana Moura diz:
mais ele disse q eu ia
Aí ela foi porque ela é subserviente e apaixonada.
Myriam diz:
aí tu foi ne?
Ana Moura diz:
fuii
Só que nao acharam a casa da menina. Aí foram jogar sinuca em Almir (lembra que eu disse que eles jogavam sinuca). Mas Ana é uma péssima jogadora.
Ana Moura diz:
mais i jogar sinucaa
Ana Moura diz:
"meu cel descarregou e o dele esqueceu no carro do amigo"
(aspas)
Foi aí que começou o desespero da mae de Ana. Ela passou mal e, claro, acho que era um mal presságio e que algo de terrível havia acontecido com Ana.
Ana Moura diz:
tu escrevee
Ana Moura diz:
mtoo ruimm doidooo
Ana Moura diz:
sabe nem juntar
Myriam diz:
escreva vc entao
Ana Moura diz:
as historias
Ta bom, entao vou recomeçar depois dessa.
Aí Lake e Ana conheceram um casal em Almir e foram jogar sinuca com eles.
Myriam diz:
eu recooméco por ond
Myriam diz:
pela parte q lake teve ciume da nega e tu tb?
Ana Moura diz:
omii va dormirr
Ana Moura diz:
i escrever
Ana Moura diz:
outra coisaa
Ana Moura diz:
ta horrivel isso
Ana Moura diz:
escreva cm se foss um romance
Ana Moura diz:
bem AVENTUREIRO
Ana Moura diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ana Moura diz:
q a mocinha foge cm o caba pq ta apx
Faço questao de colocar isso aqui.
Ana Moura diz:
pronto
Ana Moura diz:
sabe nem ter criatividade
Myriam diz:
eu to obsoleta msm
Myriam diz:
tu acha q eu to escrevdno a tua historia pq?
Myriam diz:
se eu tivesse criatividade ia escrever outra coisa
Myriam diz:
papa angu
Luiza Moura diz:
pq é uma anta
segunda-feira, 3 de março de 2008
Pla pla e as lancheiras
Alguém já disse, sabiamente, que, quando olharmos para um adulto e sentirmos raiva e asco por algum erro ou atitude pouco honrosa que tenha cometido devemos tentar ser condescendentes com aquela pessoa e perdoá-la. O autor do dito não utilizou como argumento a máxima cristã que prega o “não julgueis para não serdes julgados”e “antes de tirares o argueiro do olho do teu irmão repara na palha que há no teu” mas, com simplicidade, sugeriu que nos lembrássemos que aquela pessoa crescida já foi criança um dia e usou lancheira.
É um argumento lúcido e bastante sensível. Permite olhar para o indivíduo em questão mais carinhosamente e, dessa forma, analisar cuidadosamente sua trajetória lembrando que um dia aquele espírito também foi lar de inocência e pureza e que talvez ainda guarde em si algo de sua semente, maculada pela lei da sobrevivência mundana, pelos truques e artifícios que aprendemos, todos nós, ao longo dos anos, antes de sermos divididos pela sociedade entre aqueles estritamente bons e os estritamente ruins.
A dialética nos confunde. A idéia da criança em cada um de nós pode recordar que em um tempo ido fomos obrigados a escolher, o que prova que o ser humano possui trevas e luz dentro de si, mesmo que visivelmente aparentemos carregar somente um lado escuro e opaco, que transborda atos egoístas e avarentos, ou um lado brilhante que nos mostra generosos e altruístas. Aquele que carregou lancheira pode já ter se prestado a dividir a maçã às três da tarde, mesmo que no futuro tenha escolhido guardar para si todas as maçãs que comprou, sem sequer oferecer uma para o semelhante mais necessitado.
Há cinco anos já dirijo livremente pelas ruas da cidade, mesmo sem carteira de motorista. Assim, cuspo na cara do Estado Democrático de Direito, piso no pé da lei, não chego a desafiá-la porque não acredito piamente na severidade de seu poder coercitivo. As justificativas são conhecidas pelos que não mais usam lancheiras. Pro sempre nos mesmos sinais, espero neles pelo temor da morte, não da sanção. Tenho a tristeza de, do conforto do meu banco e do frescor do meu ar condicionado, observar os meninos de rua e, vez por outra, dar-lhes uma pequena esmola. O que para mim não custa nada e para eles é o ópio do dia, como muitos julgam ou, como prefiro acreditar, o pão. Por via de conseqüência, sinto-me boa e iluminada. Nessa ótica, minha compaixão parece burguesa, egoísta e alienada.
Alguns dias atrás, agraciei Plá plá, exímio malabarista já nos seus poucos e raquíticos quinze anos de idade, com habituais dois reais. Minha mente desviou-se um pouco dos meus problemas, tão facilmente resolvíveis com tempo e dinheiro, para o rosto de Plá plá. Ele havia crescido. Embora continuasse pequeno para sua idade, seu semblante parecia muito mais adulto, muito mais sofrido, muito menos inocente. Plá plá me parecia cansado. Claro, deveria ter estado em outras vezes em que passei por ali, porém não fui sagaz ou atenciosa o suficiente para notar.
Conversei com ele algumas vezes. Nunca foi a escola, está na rua há mais de dez anos. Sua maior habilidade é pedir. Foi tudo que desenvolveu na vida e, para ele, esta aptidão tem muito mais profundidade do que nossa passagem corrida permite perceber. É toda a sua história. Ele cheira cola pra passar a fome. Às vezes ele dorme na calçada. Todos conhecemos alguém como Plá plá. É possível até que muitos que vivam em João Pessoa conheçam o próprio Plá plá. E é aí onde está o ponto crucial da crônica. Se Plá plá está na rua, no mesmo sinal há tanto tempo, de maneira que conhecemos toda sua jornada e toda sua dor, por que ele ainda está lá? Se o ser humano possui a capacidade divina de colocar-se no lugar do outro, se há tantos com tanto, por que Plá plá ainda está preso à pedra da rua e do abandono? Este lugar-comum não deixa de ser uma surpresa, numa terça-feira à tarde, quando decidimos ceder um lugar no nosso pensamento à realidade do outro.
Não é difícil adivinhar o futuro de Plá plá. É outra história conhecida, passeia pelo cinema, por livros, crônicas como esta.Um lugar-comum repetido à margem de nossas vidas. É um lugar-comum estuprado. A não ser que ele seja uma criatura absurdamente inteligente e consiga ultrapassar todos os limites que lhes foram impostos desde que nasceu, ele continuará com sua ilícita mendicância, insistirá nesta contravenção e encontrará paz e tranqüilidade na droga que engana sua tão aguçada lucidez. As questões que para nós desafiam a crença em Deus são para ele pura revolta e angústia contínua. Mas não, não desafiará seu credo numa vida justa e igual após o fim do corpo que o maltrata diariamente. Onde não há shopping center, onde crianças como ele, possuidoras de pernas, braços, órgãos respiratórios, telencéfalo altamente desenvolvido e dedo polegar opositor podem agregar valores por vezes completamente desconhecidos ao seu imaginário de simples sobrevivente.
Voltemos à questão da condescendência com os adultos malvados que uma vez já usaram lancheira e possivelmente compartilharam seu lanche com um outro pequeno. Perdoar não está fora de questão, pois o cristianismo prega o perdão infinito diante do arrependimento. E, segundo F. Pereira da Nóbrega, o perdão é mais que humano, pois está perto de Deus. E a busca da perfeição divina deve ser meta constante na vida de todos. Entretanto, é cabível ser compreensivo, condescendente, quando vemos Plá plá crescer na miséria devido à desatenção do Estado? É correto deixar o sentimento de revolta morar preso, acorrentado no coração apertado daquela criança?
O Estado é formado por homens. A maioria deles freqüentou a escola e usou lancheira. Se alguns deles escolheram posicionar-se, ainda que só visivelmente, no lado dos estritamente maus, devemos ser condescendentes e encara-los de forma carinhosa ou tomar partido , não apenas visivelmente e para o nosso bem estar, no lugar dos estritamente bons, procurando apagar a compreensão e acabar com o conformismo? A condescendência para com esses adultos é perigosa. E ela tem seus disfarces. Reclamamos e discutimos, falamos mal do Estado. Mas quando somos omissos, quando não participamos, estamos sendo compreensivos com o abandono em questão. A bondade passiva é uma forma de maldade.
O pensamento deve voltar-se para o fato de que quando Plá plá crescer e se tornar um adulto, ninguém será condescendente com ele. Ele irá roubar o que deveria ter também e será severamente punido. Será severamente punido por procurar o que é seu de direito, ilegalmente, porque esta é a possibilidade que está mais ao seu alcance. E não devemos julgá-lo por escolher o mais fácil e sim, antes, julgar-nos a nós mesmos por permitirmos que assim seja. Não estamos também escolhendo o mais fácil? A culpa está dissolvida entre todos nós. O Estado é representado.
Sabemos, enfim, porque ninguém será condescendente com Plá plá. Plá plá nunca foi à escola e nunca usou lancheira. Plá plá nasceu homem.
É um argumento lúcido e bastante sensível. Permite olhar para o indivíduo em questão mais carinhosamente e, dessa forma, analisar cuidadosamente sua trajetória lembrando que um dia aquele espírito também foi lar de inocência e pureza e que talvez ainda guarde em si algo de sua semente, maculada pela lei da sobrevivência mundana, pelos truques e artifícios que aprendemos, todos nós, ao longo dos anos, antes de sermos divididos pela sociedade entre aqueles estritamente bons e os estritamente ruins.
A dialética nos confunde. A idéia da criança em cada um de nós pode recordar que em um tempo ido fomos obrigados a escolher, o que prova que o ser humano possui trevas e luz dentro de si, mesmo que visivelmente aparentemos carregar somente um lado escuro e opaco, que transborda atos egoístas e avarentos, ou um lado brilhante que nos mostra generosos e altruístas. Aquele que carregou lancheira pode já ter se prestado a dividir a maçã às três da tarde, mesmo que no futuro tenha escolhido guardar para si todas as maçãs que comprou, sem sequer oferecer uma para o semelhante mais necessitado.
Há cinco anos já dirijo livremente pelas ruas da cidade, mesmo sem carteira de motorista. Assim, cuspo na cara do Estado Democrático de Direito, piso no pé da lei, não chego a desafiá-la porque não acredito piamente na severidade de seu poder coercitivo. As justificativas são conhecidas pelos que não mais usam lancheiras. Pro sempre nos mesmos sinais, espero neles pelo temor da morte, não da sanção. Tenho a tristeza de, do conforto do meu banco e do frescor do meu ar condicionado, observar os meninos de rua e, vez por outra, dar-lhes uma pequena esmola. O que para mim não custa nada e para eles é o ópio do dia, como muitos julgam ou, como prefiro acreditar, o pão. Por via de conseqüência, sinto-me boa e iluminada. Nessa ótica, minha compaixão parece burguesa, egoísta e alienada.
Alguns dias atrás, agraciei Plá plá, exímio malabarista já nos seus poucos e raquíticos quinze anos de idade, com habituais dois reais. Minha mente desviou-se um pouco dos meus problemas, tão facilmente resolvíveis com tempo e dinheiro, para o rosto de Plá plá. Ele havia crescido. Embora continuasse pequeno para sua idade, seu semblante parecia muito mais adulto, muito mais sofrido, muito menos inocente. Plá plá me parecia cansado. Claro, deveria ter estado em outras vezes em que passei por ali, porém não fui sagaz ou atenciosa o suficiente para notar.
Conversei com ele algumas vezes. Nunca foi a escola, está na rua há mais de dez anos. Sua maior habilidade é pedir. Foi tudo que desenvolveu na vida e, para ele, esta aptidão tem muito mais profundidade do que nossa passagem corrida permite perceber. É toda a sua história. Ele cheira cola pra passar a fome. Às vezes ele dorme na calçada. Todos conhecemos alguém como Plá plá. É possível até que muitos que vivam em João Pessoa conheçam o próprio Plá plá. E é aí onde está o ponto crucial da crônica. Se Plá plá está na rua, no mesmo sinal há tanto tempo, de maneira que conhecemos toda sua jornada e toda sua dor, por que ele ainda está lá? Se o ser humano possui a capacidade divina de colocar-se no lugar do outro, se há tantos com tanto, por que Plá plá ainda está preso à pedra da rua e do abandono? Este lugar-comum não deixa de ser uma surpresa, numa terça-feira à tarde, quando decidimos ceder um lugar no nosso pensamento à realidade do outro.
Não é difícil adivinhar o futuro de Plá plá. É outra história conhecida, passeia pelo cinema, por livros, crônicas como esta.Um lugar-comum repetido à margem de nossas vidas. É um lugar-comum estuprado. A não ser que ele seja uma criatura absurdamente inteligente e consiga ultrapassar todos os limites que lhes foram impostos desde que nasceu, ele continuará com sua ilícita mendicância, insistirá nesta contravenção e encontrará paz e tranqüilidade na droga que engana sua tão aguçada lucidez. As questões que para nós desafiam a crença em Deus são para ele pura revolta e angústia contínua. Mas não, não desafiará seu credo numa vida justa e igual após o fim do corpo que o maltrata diariamente. Onde não há shopping center, onde crianças como ele, possuidoras de pernas, braços, órgãos respiratórios, telencéfalo altamente desenvolvido e dedo polegar opositor podem agregar valores por vezes completamente desconhecidos ao seu imaginário de simples sobrevivente.
Voltemos à questão da condescendência com os adultos malvados que uma vez já usaram lancheira e possivelmente compartilharam seu lanche com um outro pequeno. Perdoar não está fora de questão, pois o cristianismo prega o perdão infinito diante do arrependimento. E, segundo F. Pereira da Nóbrega, o perdão é mais que humano, pois está perto de Deus. E a busca da perfeição divina deve ser meta constante na vida de todos. Entretanto, é cabível ser compreensivo, condescendente, quando vemos Plá plá crescer na miséria devido à desatenção do Estado? É correto deixar o sentimento de revolta morar preso, acorrentado no coração apertado daquela criança?
O Estado é formado por homens. A maioria deles freqüentou a escola e usou lancheira. Se alguns deles escolheram posicionar-se, ainda que só visivelmente, no lado dos estritamente maus, devemos ser condescendentes e encara-los de forma carinhosa ou tomar partido , não apenas visivelmente e para o nosso bem estar, no lugar dos estritamente bons, procurando apagar a compreensão e acabar com o conformismo? A condescendência para com esses adultos é perigosa. E ela tem seus disfarces. Reclamamos e discutimos, falamos mal do Estado. Mas quando somos omissos, quando não participamos, estamos sendo compreensivos com o abandono em questão. A bondade passiva é uma forma de maldade.
O pensamento deve voltar-se para o fato de que quando Plá plá crescer e se tornar um adulto, ninguém será condescendente com ele. Ele irá roubar o que deveria ter também e será severamente punido. Será severamente punido por procurar o que é seu de direito, ilegalmente, porque esta é a possibilidade que está mais ao seu alcance. E não devemos julgá-lo por escolher o mais fácil e sim, antes, julgar-nos a nós mesmos por permitirmos que assim seja. Não estamos também escolhendo o mais fácil? A culpa está dissolvida entre todos nós. O Estado é representado.
Sabemos, enfim, porque ninguém será condescendente com Plá plá. Plá plá nunca foi à escola e nunca usou lancheira. Plá plá nasceu homem.
Myriam Gadelha
João Pessoa, 03 de Março de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)