http://www.palmalouca.com.br/artes/artes.jsp?id_artes=600
Ele sumiu, mas Dandy ainda é um milionário socialista que de carrão chega mais rápido à revolução.
"amar e mudar as coisas me interessa mais"
L.
João Pessoa, 19 de Agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
sem título.
Eu tenho medo dos temores. E das confissões. E das decepções. E de mais dores.
Destarte, quero o ensejo às surpresas e olvidar a rotina pegajosa e fatigante que fede a formol. O sopro dos rodeios virá à tona e as paixões se debruçarão sobre o impiedoso solo da fugacidade, da velocidade, sobrando o desatino em detrimento da lucidez metódica. Quero quebrar os motores de maneira voraz, cessar os moinhos e mandar os trabalhadores à sesta.
O fato é que entorpeceremos, nós, o mundo dos que não se inebriam e surtaremos os grupos mais alvoraçados, mais conectados ao labor.
O objetivo é cada vez mais desastroso e caótico, conforme a música que toca sob o som dos tambores, dos sinos e das cornetas. E as acepções serão de álcool e aveludadas por um doce tom de um si.
L.
João Pessoa, 14 de Agosto de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Laika
Era uma sexta feira fria devido a chuva incessante dos trópicos, mas de céu limpo, naquele momento em especial, embora escuro, sem estrelas e de lua minguante. Para completar, minha rua estava num breu só, justamente por causa das tempestades julinas que nunca se deram bem com a eletricidade, que quebram os postes e que afastam, por um breve instante, algo de nossa civilização (pausa para recordar que a energia solar não teria problemas com chuvas, tropicais ou não).
Pois neste dia, saindo de casa e tão envolvida pelo Cosmo (é que a falta de luz deixa assim as pessoas densas: vulneráveis à natureza,achando que o mundo, tal qual o conhecemos, deteriorou-se, e sentindo tudo com muito mais força) , encontrei na calçada do meu prédio, sob o holofote da lâmpada à gerador da portaria, aquele pequeno cachorrinho preto e branco e do tamanho da minha mão aberta, chorando como o bebezinho que era e com uma ferida enorme aberta nas costas, onde fizeram casa vários insetos.
Primeiro, quero lembrar que não tenho grande afeição por animais. É horrível dizer que acho que sinto o Cosmo em sua plenitude, ainda que uma vez ou outra, mas que não tenho nenhuma sensibilidade para com animais. Não amo Pingo e Fofuxo (os poodles da minha casa), nao tive pena quando Pingo quebrou a perna e ficou manco por mais de um mês, não choraria se eles morressem, se gostasse de carne comeria tanto quanto como pizza. Mas aquele cachorrinho estava tão sozinho naquela noite sem energia, tão distante das estrelas no céu, que poderiam iluminá-lo e, no entanto, a luz do gerador era forte demais para os seus olhos que, acredito eu, estavam pouco acostumados àquela intendsidade e, pior, àquela exposição, pois ele estava como um ator principal sozinho no palco, deixado só no clímax da peça, e ao seu redor tudo era negro, negro , negro.
Decidi lutar pela sua existência, conectar-me com aquele pedacinho de vida oferecendo-lhe um pouco de esperança, sem nunca saber se ele chegou a compreender e nem se isso seria importante para ele como é para nós. Buscamos, eu e Marcelo, (embora um tanto quanto contrariado, afirmando o tempo inteiro que a morte era inevitável, que aquilo nas costas devia ser mordida de cobra, porque só abria e abria) uma caixa grande e colocamos um pouco ração machucada e misturada com leite dentro de um potinho dos poodles. Molhamos a grande ferida em suas costas e afastamos os insetos. De manhã, mesmo sendo sábado, garanti que acordaria cedo para levá-lo em um veterinário.
Lembrei-me de Laika, lançada no espaço sideral, sozinha e abandonada no Universo, tão distante das estrelas, tal qual aquele cachorrinho, depois de viver solta e sem dono pelas ruas de Moscou. Se ele tivesse sobrevivido, teria dado-lhe o nome de Laika, mesmo sendo homem. Mas, como Laika, ele morreu poucas horas depois de seu lançamento e aparição. E, também como ela, sempre tinha sido sozinho e sem dono, abandonado no Universo, aquele pedacinho de vida.
Aqui fica minha pobre homenagem, um registro de sua existência, já que há um monumento para Laika, que teve o mesmo fim.
M.
Pois neste dia, saindo de casa e tão envolvida pelo Cosmo (é que a falta de luz deixa assim as pessoas densas: vulneráveis à natureza,achando que o mundo, tal qual o conhecemos, deteriorou-se, e sentindo tudo com muito mais força) , encontrei na calçada do meu prédio, sob o holofote da lâmpada à gerador da portaria, aquele pequeno cachorrinho preto e branco e do tamanho da minha mão aberta, chorando como o bebezinho que era e com uma ferida enorme aberta nas costas, onde fizeram casa vários insetos.
Primeiro, quero lembrar que não tenho grande afeição por animais. É horrível dizer que acho que sinto o Cosmo em sua plenitude, ainda que uma vez ou outra, mas que não tenho nenhuma sensibilidade para com animais. Não amo Pingo e Fofuxo (os poodles da minha casa), nao tive pena quando Pingo quebrou a perna e ficou manco por mais de um mês, não choraria se eles morressem, se gostasse de carne comeria tanto quanto como pizza. Mas aquele cachorrinho estava tão sozinho naquela noite sem energia, tão distante das estrelas no céu, que poderiam iluminá-lo e, no entanto, a luz do gerador era forte demais para os seus olhos que, acredito eu, estavam pouco acostumados àquela intendsidade e, pior, àquela exposição, pois ele estava como um ator principal sozinho no palco, deixado só no clímax da peça, e ao seu redor tudo era negro, negro , negro.
Decidi lutar pela sua existência, conectar-me com aquele pedacinho de vida oferecendo-lhe um pouco de esperança, sem nunca saber se ele chegou a compreender e nem se isso seria importante para ele como é para nós. Buscamos, eu e Marcelo, (embora um tanto quanto contrariado, afirmando o tempo inteiro que a morte era inevitável, que aquilo nas costas devia ser mordida de cobra, porque só abria e abria) uma caixa grande e colocamos um pouco ração machucada e misturada com leite dentro de um potinho dos poodles. Molhamos a grande ferida em suas costas e afastamos os insetos. De manhã, mesmo sendo sábado, garanti que acordaria cedo para levá-lo em um veterinário.
Lembrei-me de Laika, lançada no espaço sideral, sozinha e abandonada no Universo, tão distante das estrelas, tal qual aquele cachorrinho, depois de viver solta e sem dono pelas ruas de Moscou. Se ele tivesse sobrevivido, teria dado-lhe o nome de Laika, mesmo sendo homem. Mas, como Laika, ele morreu poucas horas depois de seu lançamento e aparição. E, também como ela, sempre tinha sido sozinho e sem dono, abandonado no Universo, aquele pedacinho de vida.
Aqui fica minha pobre homenagem, um registro de sua existência, já que há um monumento para Laika, que teve o mesmo fim.
M.
domingo, 19 de abril de 2009
ensaiozinho mandado por depoimento
de uma flor:
"Saudade daquele carnaval de 1971, aquelas marchinhas ainda soam levemente aos meus ouvidos. Lembro-me da fantasia de mocinha, eu estava com um vestido branco, rodado, com bolinhas pretas. Naquela época meu cabelo era curto e loiro, bem loiro; o de John era feito com tinta preta - e bastante alto, ele vestia um macacão jeans com botas pretas. Como já dissera Chico Buarque, naquele fevereiro, eu era a favorita, e John: o mestre sala. E por falar em Chico... me bateu uma imensa vontade de retornar à Itália, onde passamos anos compondo, fumando e conversando nos cafés. O café de outrora tinha um sabor mais prazeroso. Se eu pudesse, voltaria a desafiar Hitler, fiquei conhecida por que fui a única que teve a ousadia de desafiá-lo, depois que o fiz, o Führer mostrou-se um amigo e tanto.Eu fui malandra, rainha, princesa, escrava, eu fui Maria. E John sempre esteve comigo, desde o 11 de fevereiro de 1971. E hoje, nem eu, nem ele, sabemos o que somos, a única certeza é a saudade do tempo em que não vivemos. "
K.
"Saudade daquele carnaval de 1971, aquelas marchinhas ainda soam levemente aos meus ouvidos. Lembro-me da fantasia de mocinha, eu estava com um vestido branco, rodado, com bolinhas pretas. Naquela época meu cabelo era curto e loiro, bem loiro; o de John era feito com tinta preta - e bastante alto, ele vestia um macacão jeans com botas pretas. Como já dissera Chico Buarque, naquele fevereiro, eu era a favorita, e John: o mestre sala. E por falar em Chico... me bateu uma imensa vontade de retornar à Itália, onde passamos anos compondo, fumando e conversando nos cafés. O café de outrora tinha um sabor mais prazeroso. Se eu pudesse, voltaria a desafiar Hitler, fiquei conhecida por que fui a única que teve a ousadia de desafiá-lo, depois que o fiz, o Führer mostrou-se um amigo e tanto.Eu fui malandra, rainha, princesa, escrava, eu fui Maria. E John sempre esteve comigo, desde o 11 de fevereiro de 1971. E hoje, nem eu, nem ele, sabemos o que somos, a única certeza é a saudade do tempo em que não vivemos. "
K.
domingo, 5 de abril de 2009
um tanto nostálgico é "Joana"
O mundo é feio, Joana,
Muito feio
Nem adianta você me falar nada
Nem peleje, Joana.
Porque, você é rica,
Come o que quer
E vive feliz
Você, Joana, não morreu.
Nunca foi ao morro
Mal as janelas abres
E pensas que sabe
Mas não, Joana, não sabes
Tu, Joana, és benquista
E pelos homens vista
Com desvelo e bons olhos
Não és feia como mundo
E não conheces a cor dos bancos da praça
Jamais viste o senhor que caminha nela
Ou o bêbado que dorme por lá
Oh, Joana, liberta-se e vê.
Também não estás só, Joana
Como tantas Marias e Anas
Além de outras Joanas
Que, pelo revés, não são uma Joana.
O mundo não é um mito, Joana
Como Drummond criou fulana
Como Alice e Cinderela
Ele nem é baile nem festa
E que é o mundo?
Ah!sei lá, Joana, pede a Deus
Que uma visão te dê
E palavras
Ah palavras! Onde elas estão?
Correm por aí, vagando
E Joana precisa delas
E de coragem
Você, Joana, bateu pino ontem,
Hoje, e baterá amanhã
Porque você não se machuca e é flor
No entanto, o mundo é feio, Joana.
Lafa
Meados de 2006, creio.
Muito feio
Nem adianta você me falar nada
Nem peleje, Joana.
Porque, você é rica,
Come o que quer
E vive feliz
Você, Joana, não morreu.
Nunca foi ao morro
Mal as janelas abres
E pensas que sabe
Mas não, Joana, não sabes
Tu, Joana, és benquista
E pelos homens vista
Com desvelo e bons olhos
Não és feia como mundo
E não conheces a cor dos bancos da praça
Jamais viste o senhor que caminha nela
Ou o bêbado que dorme por lá
Oh, Joana, liberta-se e vê.
Também não estás só, Joana
Como tantas Marias e Anas
Além de outras Joanas
Que, pelo revés, não são uma Joana.
O mundo não é um mito, Joana
Como Drummond criou fulana
Como Alice e Cinderela
Ele nem é baile nem festa
E que é o mundo?
Ah!sei lá, Joana, pede a Deus
Que uma visão te dê
E palavras
Ah palavras! Onde elas estão?
Correm por aí, vagando
E Joana precisa delas
E de coragem
Você, Joana, bateu pino ontem,
Hoje, e baterá amanhã
Porque você não se machuca e é flor
No entanto, o mundo é feio, Joana.
Lafa
Meados de 2006, creio.
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