domingo, 2 de janeiro de 2011

Para Marília


Perto do Natal e eu estranhei minha tristeza. Natal é sempre pra ficar feliz. Lembro-me bem, há uns quatro anos atrás, mamãe vivia me dizendo: “Myriam, você precisa ser mais séria.” Aliás, todos viviam me dizendo. Eu era dona de uma leveza incontestável, que parecia incurável. Uma fogueira da infância, nunca terminava. Hoje, entre as mais diversas recomendações, eu escuto da minha irmã mais velha: “Minha flor, amoleça seu coração. Tire esse peso de você” . 

A realidade é que sim, eu ando pesada, nas mais diversas acepções da palavra. Lembrei do Natal de 3 anos atrás, eu e mamãe indo comprar presentes para todo mundo, Camboinha fervilhando de gente, uma brisa com cheiro de maresia era suficiente pra me deixar contente por toda a tarde.
Mas um pré-requisito da leveza é que a gente não deve viver de passado. Que devemos aprender a gostar do presente, ainda que o passado nos pareça melhor. Venho tentando esquecer, não olhar as fotos, não remexer os papéis, ler cartas antigas, mas a minha atração pelo que é velho é inata. A história é fundamental na minha vida. A minha, a dos grandes heróis e a dos que não deixaram nada para os livros que não uma parte mínima do movimento da massa, do curso de todos, da idéia geral de uma época, da moda. Aqueles que me dão arrepio quando lembro: os anônimos, os que restringiram sua imortalidade aos seus filhos. Não que isso me pareça medíocre, infeliz, sem graça. Muitas vidas felizes podem ter sido vividas dessa maneira. Longe dos holofotes, mas no âmago de um lar aconchegante e de um cotidiano tranqüilo, ou mesmo num grande tumulto, num duelo constante com a vida diária, consigo próprio, com seu universo particular, mas no fim de tudo, uma vida feliz.

Marília, comecei a escrever-te antes do Natal. Hoje já é dia dois de janeiro e só agora recomeço. Até minhas cartas ficam facilmente incompletas. Qualquer estalo de melancolia ou alegria mais efusivo do que o habitual me tiram do foco, do que realmente queria contar. Por um milagre, hoje estava me sentindo tal como no dia em que comecei a escrever esta carta. Milagre, sim, pois, para mim, é muito rara a repetição contínua de sentimentos, de pensamentos, de idéias. Minha filosofia toda muda velozmente da noite para o dia, da água para o vinho. Vivo entre uma crise existencial dos diabos unida à hipocondria desestabilizadora e um estado de alegria efusiva, de amor incondicional, amplo, infinito, pela vida e por toda a humanidade. Após esses momentos otimistas de contentamento e compaixão, de exaltação da contemplação da natureza, do bom e do belo e, obviamente, do cumprimento desses ideais, segue-se uma tristeza profunda, um vício melancólico, que é quando eu assumo a postura mais ranzinza e cética possível.

Tenho uma necessidade de ser justa, gentil e amável com todos os seres vivos. Essa idéia dos seres vivos me surgiu recentemente, Deus foi embora de minha vida, uma perda terrível, se você quer saber. Não posso afirmar ainda com certeza se Ele partiu de vez, pois já falei de minha natureza volúvel, do meu pensamento exageradamente fluido. Eu careço de pragmatismo. Prescindo de sentimentalismo e de abstração. Meu Deus era barbudo, sim, velhinho. Não posso dizer verdadeiramente que O amava, mesmo quando cria piamente em sua existência. Mas tinha medo e ainda tenho. Deixei o colégio de freiras, as irmãs e seu medievalismo, mas eles nunca me deixaram. Os conceitos rígidos de temor ao Senhor, da certeza do seu castigo quando Ele dizia ser preciso ainda estão no meu coração tanto quanto o temor da morte, do nada que talvez exista.

Marília, acho que a vida após a morte, da forma que nos contaram, não existe. Mas talvez, daqui a muitos e muitos anos, eu poderei ser uma flor, um passarinho, uma criatura totalmente nova que venha a surgir na face da terra. Perguntarei a algum biólogo quais as chances do pó do meu corpo poder dar origem à outra vida, a pelo menos um simples organismo unicelular, mas que pulsa no emaranhado lindo, brilhante, vivo deste mundo. O mundo é, sobretudo, vivo. Através de todos os seres, de todo o movimento, de toda a luz. Isso é Deus para mim neste momento. E sinto um medo tremendo de ser castigada por duvidar de sua existência, como dizia irmã Paula, que Deus nos fez à sua imagem e semelhança, que Deus é um ser que tem algo de humano. Que nós temos algo, muito, na realidade, de Deus em nós, sem dúvida. Mas por que Deus, em alguns trechos da bíblia, tem um caráter tão humano? Por que Deus me faz ter vontade de apagar tudo que escrevi por temer o seu castigo, por que Deus não abre espaço para a dúvida?

Sei que a religião é de fundamental importância para muita gente e que há o argumento de que o ateísmo não serve para nada, que ele nada constrói, nos deixa a mercê do vazio, do nada. Mas também a religião muitas vezes não já infligiu à humanidade tanta dor, física e psicológica, não já submeteu tantos espíritos à perturbação? Agora mesmo, a religião sob cuja égide tenho vivido, não torna minha alma vacilante? Talvez o ateísmo não nos leve à paz, mas tampouco a religião nos dá segurança de que podemos alcançar a plenitude. E não é isso que, afinal, procuram todos os seres? Mais uma vez quero apagar o que escrevi, pois o Deus onipresente, onisciente já sabe que duvido dele, me castigará? Não, não duvido desse Deus, pois, sendo a vida tão cheia de desencontros e dissabores, qualquer coisa poderia eu apontar como o castigo pela minha dúvida. E ainda os que seguem com fé também passarão por momentos amargos. Qual será a diferença? O Senhor estará com eles.

Digo-te, Marília: detesto a descortesia, a indiferença, a falta de amor, o apego, a falta de calor, de cordialidade, a maldade propriamente dita, a covardia, também, pois li, recentemente, que a bondade não deve ser uma virtude passiva, que não faz o mal somente. A bondade é ativa, é corajosa. Será a covardia uma maneira alternativa de ser mau? Creio que sim. Bem como a indiferença. Não tenho sido das mais corajosas, muito menos das mais ativistas que lutam pela bondade e igualdade. Estou distante do que considero justo em função das duas mãos que me foram concedidas para trabalhar na obra de Deus. O Deus no qual creio é um amor mútuo entre os homens. Será o bastante, Marília, ou preciso ter uma fé inabalável no Senhor velhinho, de barba, com Jesus ao seu lado, que separa estritamente o bom do mau, que condena os infiéis à eternidade do inferno? Será que não é suficiente alimentar a minha fé inabalável no amor, na compaixão, num sentimento profundo de compreensão dos seres humanos, de todos os seres, compaixão e compreensão pela natureza, pelo ritmo da vida, compaixão em relação ao sofrimento e ao êxito do outro, pois já disse Oscar Wilde que a forma mais pura de solidariedade é no momento da vitória. É quando alegramo-nos verdadeiramente com o sucesso do próximo, e não somente quando nos prestamos a estar com eles nos momentos de fracasso e dor. Pois muitas vezes (se achar esse pensamento por demais egoísta e feio, perdoa-me e corrige-me) assistir à dor do outro é contemplar nossa própria felicidade, nos regozijarmos com nosso contentamento através de uma sórdida e cruel comparação, sentir gratidão por não estarmos ali, na pele do que agoniza.

Será que Deus me punirá por não ter conseguido enxergar nitidamente Sua onipresença, Seus sinais, sua bondade explícita? Vejo pequenas coisas, sinais, nada comprovado, nada ‘cientifico’. Talvez eu procure em vão. Talvez Deus seja mesmo mágico, invisível, as vezes isso me parece absurdo, ainda que lindo, uma idéia sublime, mas absurda diante das injustiças do mundo. Belo demais que haja uma outra vida perfeita, cheia de luz. Não estou certa, Marília, meu espírito vê embaçado.

Vou rezar agora à noite, sabe. Meditar, o que seja. Tentar entrar em contato com algo que não seja apenas meu corpo. Eu era tão certa da existência do espírito não material. Mas agora entendo que sou toda corporal, sou toda em cada ínfimo átomo meu, sou toda nas minhas coxas, no meu colo, no meu suor, no meu temor, na minha sinusite. E essa engrenagem corporal, essa certeza de que todas as potências estão tão somente nessa minha carne impedem-me de conectar-me com qualquer Supremo, qualquer energia, qualquer natureza. Sinto-me incapaz, quando penso que meu desejo de espiritualidade não vai muito além das minhas sinapses. 

Não estou com aquela vontade louca de escrever, apesar de ter passado o dia lendo Clarice Lispector. Achei uma pergunta bonita nela: ``Como será a primeira primavera depois que eu morrer?``. Mas esta tarde tive um certo enjôo dela nesse livro , Um sopro de vida. Porque ela fala dela o tempo inteiro, de um jeito lindo, claro. Mas eu gosto mais quando o escritor se mete no sentimento e na vida dos outros, explorando suas dores e alegrias, explicando-as, detalhando-as , fazendo o leitor sentir-se o personagem. O romance e a leitura devem servir como uma forma de compreensão do outro, de descrição das outras vidas. Colocar-se no lugar do outro e ainda por cima descrever. Claro, é um  mérito enorme falar de si com destreza, de tal forma que o leitor sinta-se o autor e possa compreendê-lo. Mas ainda acho que o desenvolvimento de um ser diferente de si implica num esforço e numa sensibilidade muito maiores.

Por fim, quero dizer a você, Marilia, que eu vejo beleza sempre,em qualquer lugar mas que, para mim, o ano fica muito mais bonito a partir de setembro. E que agosto é mesmo o mês do desgosto até que se prove o contrário.

Espero que esta carta não esteja por demais tediosa. Você pode demorar pra ler o tanto que eu demorei pra escrever.

Quero que você me conte sobre o seu estágio, sua vida, amores, etc. Você fala muito pouco de você e eu sou uma espalhada nas cartas. É culpa minha, esse seu silêncio maior?

Imenso carinho,

M.

domingo, 24 de outubro de 2010

uma se perde na outra.

Minha querida madrugada de segunda-feira, você, faz de mim o escravo do nada, um subalterno dos barulhos, um espectador da solidão. Feliz de você que, provavelmente, ri de mim, com a maior das glórias. Não, Glória, não vá agora, leve primeiro, na segunda-feira, os frascos de mamãe que estão para se quebrar com este vento danado. Lá, pelo menos, a brisa é mais calma, mais calma e mais mansa como uma bela aurora. Mas Aurora! Já lhe pedi que não saísse mais à noite, por essas horas. Quão perigoso é essas ruas desertas e escuras, esses transeuntes da meia noite, esses ébrios de fim de festa, essa vida noturna conturbada da minha querida Vitória. Ah, Vitória, que bela visita. Obrigado pelos doces (não há de que, sr. Fulano). Mas conte-me: como vão os filhos? Tem passado bem com todas essas turbulências, esses arroubos da política? Só Deus para trazer socorro. Socorro! Venha lavar os pratos, a louça está suja, completamente, suja! Você parece que simplesmente esquece dos seus serviços. Mas, ora, o que vejo, pois não lhe pago para isso?! Quero ver tudo limpo, tudo cheiroso, como o perfume da rosa. Ah, Rosa, me deixaste a esperar todo esse tempo, sem nenhuma notícia, solicitação, convite ou parecer teu sobre nosso último encontro. Eventualmente, digo, logo mais, poderíamos tomar um café ou almoçarmos juntos. Estou com saudades da tua fala singela, da tua voz que me sara. Sara! Já pra cama! Seu namorado está muito atrevido, lhe deixando uma hora dessas em casa. Esse menino está ultrapassando os limites, indo de encontro aos nossos costumes. Já tomei uma decisão: quero este namoro acabado amanhã! E nada de pranto, nada de cinema, estou sendo clara? Clara, não se afobe não, ele voltará. A gente se perde tanto nesse caminhos da vida, né? Tudo é tão difícil, imagine um amor sem sofrimento. Não se revolte, logo mais tudo se acalma, tudo se amorna, tudo se contorna. Sorria, a vida é bela. E Bela foi ao jantar com a família ou ainda não se sabe o paradeiro dela? Mas que moça rebelde, não é? Os pais não merecem tamanha falta de respeito, não era preciso fugir como se nunca tivesse tido as regalias desde que nasceu. Coisa que, no fim das contas, não dá nenhum ibope, não tem a menor graça. Graça, minha querida, veja só: esta semana, esta no meu alfaiate e mandei fazer um vestido vermelho para fazer uma surpresa para o meu marido, no nosso aniversário de casamento. Acho que ficará perfeito o bordado, vai parecer coisa divina, abençoada, celeste! Celeste, a senhorita está contratada como a nova funcionária da casa. A partir de hoje, como gerente, terá de controlar todo o funcionamento da casa, desde a cozinha até o caixa, que é o mais importante, claro. Matenha sempre a calma, seja singela e atenciosa com os clientes, e preserve a educação. Educação, hum... Essa não existe.

L.
João Pessoa, 25 de Outubro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um homem, um voto

Nunca vi tanta gente dona dos votos alheios nesta Paraíba. Obviamente que isto não é fato novo, mas ainda me assusta a constatação de que muito antes de as campanhas ganharem as ruas e os candidatos caírem em campo, as votações já estão contabilizadas e decididas, o sufrágio já foi todo loteado e não há mais nada o que se fazer.






Muitos prefeitos apresentam seus colégios eleitorais como se fosse o povo maquinaria muito controlável, porque vendem o “seu” eleitorado com uma tal facilidade e o compram os candidatos com a mais sincera convicção de que realizam negócio jurídico de agente capaz, objeto lícito e forma não prescrita em lei. E a população fica à margem dessas negociatas, nas quais está envolvida como fator principal.

A tabela é bem conhecida e aqui seguem alguns exemplos: prefeito de cidade de médio porte pode valer mais de meio milhão; município pequeno, entre 100 e 300 mil. Alguns vereadores também têm preço alto, dependendo do tamanho da localidade, o valor pode variar entre 15 e 100 mil, na capital. É mercadoria segura o voto alheio. É dispendioso. Depois, o candidato só precisa passar de carro acenando. Se já for bem conhecido, que mande apenas os retratos.

E não são apenas os ocupantes de cargos políticos que participam deste imoral comércio. São líderes de bairro que se dizem donos de suas comunidades, chefes de lar que ao demandarem uma pequena ajuda pessoal afirmam com veemência: lá em casa são 15 votos, viu, doutor? E ai de quem duvidar que aí já foram incluídos dois vizinhos que mal sabem como estão sendo posicionados.





Assim sendo, é mister sejam abertas as porteiras dos currais eleitorais ou o único requisito para tornar-se político será ter dinheiro, muito dinheiro. Elegeremos, de agora em diante, compradores de gado guiados por seus vaqueiros de voto. E o voto nunca mais será livre.





É preciso, antes de mais nada, definir o voto. O voto é a expressão máxima da cidadania. Entretanto, a cidadania tem contornos muito mais amplos do que o singular ato de votar. No Estado Democrático de Direito, todos são cidadãos, uma vez que somos sujeitos de direitos e obrigações – os que não votam não deixam de ser cidadãos por isso. Mas o que vota exerce plenamente sua cidadania, informa sua representatividade e materializa a democracia, assim. O cidadão votante é responsável, em certo grau, pelo não votante. Por seus filhos menores, pelos seus colegas incapazes, irmãos apenados, pais idosos e cansados.





É bastante conveniente para políticos endinheirados e pobres de discurso escorar-se em seus vaqueiros de voto, evitando o debate, a discussão, o corpo a corpo, os questionamentos, o olho no olho, o enfrentamento, cara a cara, com a condição de miserabilidade de grande parcela de nossa gente.

De tal modo, é bastante simples: vedemos o povo, tapemos seus ouvidos e molhemos suas mãos de dinheiro. O povo que ainda é indefeso, pouco educado, carente da fraseologia da democracia, de expressões como direitos fundamentais, república, lei, vontade geral, bem comum. O povo que desconhece bandeiras e ideais, a própria noção do voto livre. O povo apartado da fórmula “um homem, um voto”.

O que ora ocorre é um homem, um saco de cimento; um homem, um medicamento; um homem, 100 reais. Calcula-se o preço do voto, o valor para adesivar o carro, para pôr o banner na casa. E quem culpará o povo por querer fazer seu extra no período eleitoral? O pequeno pé de meia que aparece de dois em dois anos?



Todavia, culpemos os maus políticos, que são aqueles que insistem nessa prática cruel, que se omitem em orientar: votem em uma idéia, não em uma esmola; levantem uma bandeira, não se vendam, não se transformem em boiada. Bem vem a calhar a canção de Zé Ramalho: "porque gado a gente marca. Tange, ferra, engorda e marca". Mas com gente é diferente.



O bom político tem o papel de efetivamente cobrar o voto livre, consciente. De afastar de sua própria mente o alívio que de visualizar o povo como boiada, fácil de conduzir para qualquer pasto, sejam secos ou verdejantes. Esta é a verdadeira homilia do bom agente político. O que não teme o encontro, o toque, a conversa. O que não enxerga eleitores, mas pessoas.



O povo é a estrutura legitimante do sistema. Sendo corrompido, o aparelho inteiro perde sua autêntica justificação e torna-se efetivamente uma mentira, uma abstração exposta no texto legal. Na esteira dos direitos fundamentais de quarta geração, encontramos o direito à informação, já como desdobramento do direito à liberdade, inserido no contexto dos direitos humanos de primeira dimensão. A prática dos direitos humanos habilita o homem, como bem disse Friedrich Muller, e assim continua: Sem a prática dos direitos do homem e do cidadão, o povo permanece uma metáfora ideologicamente abstrata e de má qualidade. Por meio da prática dos human rights ele se torna, em função normativa, povo de um país, de uma democracia capaz de justificação – e torna-se ao mesmo tempo povo: enquanto instância de atribuição global de legitimidade, povo legitimante.

M.

domingo, 5 de setembro de 2010

Quem dera fosse uma declaração de amor...

Hello there, angel from my nightmare
The shadow in the background of the morgue
The unsuspecting victim of darkness in the valley
We can live like Jack and Sally if we want
Where you can always find me
And we'll have halloween on Christmas
And in the night we'll wish this never ends
We'll wish this never ends
I miss you, miss you
I miss you, miss you
Where are you and I'm so sorry
I cannot sleep I cannot dream tonight
I need somebody and always
This sick strange darkness
Comes creeping on so haunting every time
And as I started I counted
The webs from all the spiders
Catching things and eating their insides
Like indecision to call you
And hear your voice of treason
Will you come home and stop this pain tonight
Stop this pain tonight
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, miss you)

sábado, 29 de maio de 2010

o Bar Savoy é o nosso Caldinho.



Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.



Carlos Pena.